12323 Até quando vamos comprar papel para escritório? - Oene
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Até quando vamos comprar papel para escritório?


Ainda falta um pouco para essa situação se materializar aqui no Brasil. Mas dê uma boa olhada neste gráfico1 de hoje, que mostra a queda no nível de emprego em diferentes setores do varejo dos EUA nos últimos 11 anos. Com todas as notícias que vemos com o fim de cadeias que vendem CDs e […]

Ainda falta um pouco para essa situação se materializar aqui no Brasil. Mas dê uma boa olhada neste gráfico1 de hoje, que mostra a queda no nível de emprego em diferentes setores do varejo dos EUA nos últimos 11 anos. Com todas as notícias que vemos com o fim de cadeias que vendem CDs e livros e a ascensão da Amazon e Walmart, era de se esperar algo assim. Mas não deixa de ser um quadro preocupante para um país que precisa desesperadamente de novos postos de trabalho: em uma década, 40% dos empregos das lojas de departamento, por exemplo, simplesmente sumiram.

É neste cenário que aparece uma das fusões mais depressivas dos últimos anos, anunciada hoje nos EUA: o OfficeDepot comprará a OfficeMax. As duas enormes cadeias de papelarias e suprimentos de escritório daquele país estão publicamemente morrendo, e a ideia da fusão é reduzir custos e fechar lojas de maneira mais estratégica, desacelerando a hemorragia.

Contam contra as lojas desse tipo o fato de que o papel é usado para cada vez menos coisas (eu não compro uma impressora há pelo menos 9 anos) e que para o essencial, grandes cadeias como Walmart dão conta. Para coisas mais caras e complexas, como computadores e impressoras, há as lojas online. Lojas assim precisam de muito espaço e muitas pessoas para vender coisas de pouco custo unitário. Não parece um modelo viável para a próxima década. Parece um cenário de apocalipse iminente.

Que não chegou aqui, ao que parece. Fui ver como andam as coisas para o setor no Brasil e a Kalunga, a rede paulistana análoga às grandes cadeias de artigos para escritório americanas, cresceu sua receita em 20% no último ano. O objetivo do dono é crescer para vender mais caro a operação para algum grupo de investimento. Mas quem for comprar, o que vai fazer com esse tanto de papel inútil na mão?

É triste ver os empregos perdidos, é claro, mas por um lado eu fico feliz de ver que a cultura do toner, grampeador, carimbo e dezenas de blocos de nota está sumindo. Mas as papelarias em si sempre tiveram outro significado pra mim, porque aquele dia de janeiro que íamos à papelaria grande fazer as compras do ano era certamente o melhor do ano letivo. Muitos projetos artísticos e ideias de livros de poesias surgiam ali, assim como cadernos quadriculados que viravam algum tipo de desenho que só a gente achava bonito. Será que há um app nos tablets que substituirão todos os papéis para emular esse sentimento?


  1. Fonte: The Atlantic, que coloca a notícia dentro da série “The End of Retail” (o Fim do Varejo). 

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