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E quando aquele App tirar o futuro do seu filho?


Estamos trocando empregos por eficiência. Na segunda parte do especial, perguntamos: o que vai acontecer quando robôs e software tomarem nossos postos de trabalho? O que estaremos ganhando, exatamente?

 

Dê uma boa olhada nos aplicativos do seu smartphone. Eles são a amostra de como tudo — de chamar um táxi, comprar um livro a ir ao banco — é mais fácil e relativamente mais barato hoje do que era há poucos anos. Mire em cada ícone e tente imaginar as lojas ou grandes indústrias que eles representam, todas as cadeias produtivas que estão por trás dos símbolos coloridos. Há uma complexidade gigantesca resumida em um toque. Imagine seu bisavô diante do livro que magicamente aparece na tela do tablete? O meu acharia que era feitiçaria.

Mas há outra maneira de ver os mesmos aplicativos. Os mais bem sucedidos destruíram ou reinventaram velhas indústrias. Pense no que a Amazon fez com as livrarias, o iTunes com as lojas de discos (e radio/Spotify com as rádios), Google Maps e Foursquare com Guias 4Rodas, e por aí vai. Nós, consumidores, ganhamos serviços melhores, mais rápidos, um tantinho mais baratos. Mas um monte de gente perdeu seu emprego no rápido processo.

Essa história, você pode dizer, não é exatamente nova. E é verdade. Aconteceu antes na agricultura e em partes da indústria em séculos e décadas passadas. Mas, se você prestar bem atenção, essa destruição de empregos chegou agora ao setor que mais ocupa as pessoas: o de serviços. Apps, algoritmos e robôs estão substituindo pessoas — e em lugares nos quais nunca pensamos que isso fosse possível. “Você está dizendo que avanço tecnológico vai trazer desemprego?“ Sim. ”Mas não estão falando disso desde o fim do século 18?“ Sim. ”E por que agora é diferente?” Em uma palavra: velocidade. Há outras 5 mil palavras para explicar melhor aí embaixo.

No último texto, defendi que o Brasil só não está vivendo uma crise de desemprego porque somos muito ineficientes e temos bastante a avançar como sociedade: se jogarmos o lixo no lixo não dependeremos de tantos garis, se superarmos a mentalidade de precisar de serviçais não teremos tantos empregados domésticos ou garçons, se não fôssemos tão burocráticos perderíamos toda uma cadeia que vai de despachantes a motoboys. A pergunta que deixei foi: se virarmos um país mais “eficiente” e aprazível em um curto espaço de tempo, o que acontecerá com nossos empregos?

A pergunta parte do pressuposto de que, na Europa e EUA, há uma crise de desemprego causada justamente pela eficiência, relativa boa educação dos habitantes e algumas (i)limitações do capitalismo de livre mercado. Há outras explicações possíveis para o desemprego persistente na Europa e, em menor escala, nos EUA, é claro. Mas o que eu defendo aqui é que a tecnologia está destruindo empregos a uma velocidade muito maior do que cria outros, quebrando um pouco o que acreditava-se ser uma regra. Este processo, hoje, parece irreversível. Não haverá emprego para todo mundo a não ser que questionemos algumas certezas sobre o nosso sistema político e econômico.

As soluções para o que parece ser um desemprego estrutural, entretanto, deixarei para os próximos textos da série. Nele, vamos mais a fundo nas questões filosóficas do tipo “pra que serve trabalhar”, que tipo de educação será necessária e quais as alternativas para quando não formos tão necessários para produzir o que continuaremos consumindo. Por ora, vamos tentar entender o tamanho do problema.

A força do tornado

Essa discussão ainda não chegou com a devida força no Brasil justamente porque ainda estamos em outro estado de progresso social e tecnológico. Mas ela pega fogo nos Estados Unidos, e está longe, como seria possível pensar a princípio, de ser uma bandeira “da esquerda” (anti-capitalismo-desregulado) ou de “luditas” (as pessoas anti-progresso-tecnológico).

Nas últimas semanas, Bill Gates reconheceu que a substituição de “empregos por software” está acontecendo em um ritmo aceleradíssimo: “Em 20 anos, a demanda do mercado de trabalho por várias das habilidades que usamos será substancialmente menor”. Ele não acha que as pessoas estão “com o modelo mental” necessário para enfrentar isso. O homem que vale 76 bilhões de dólares vê que a desigualdade tende a aumentar se deixarmos o mercado como está.

A Economist, o semanário inglês símbolo do liberalismo político e econômico, fez duas edições sobre o assunto só neste ano. Em janeiro, colocou na capa uma firma sendo tomada por um furacão, com a manchete falando do “desemprego tecnológico” e o aviso “chegando a um escritório perto de você”. Eles são otimistas no longo prazo, dizendo que a tecnologia sempre melhorou o padrão de vida e criou empregos mais interessantes, diversos. Até aqui, eles lembram, “saíram as secretárias, entraram os programadores e designers”, funções que não existiam. Mas a revista diz que o que está acontecendo agora é diferente, rápido e grave. E também chegará ao Brasil em algum momento:

Mesmo que novos empregos e produtos maravilhosos surjam, a diferença de renda [entre os mais ricos e pobres] irá aumentar, causando um deslocamento social enorme e talvez até mudando a política. O impacto da tecnologia será sentido como um tornado, atingindo o mundo rico primeiro, mas em algum momento varrendo os países mais pobres também. Nenhum governo está preparado para isso.

Larry Summers, ex-secretário de Tesouro dos EUA, também disse este ano que as mudanças técnicas estão cada vez mais tomando forma de “capital substituindo, de maneira efetiva, a mão-de-obra”. Ele estima que um em cada sete americanos estará fora do mercado de trabalho em menos de uma geração.

As pessoas mais ouvidas no debate são os economistas Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, do MIT. Eles escreveram um ótimo livrinho em 2011 chamado Race Against the Machine. O MIT Technology Review colocou em gráficos os principais argumentos:

Gráfico produzido pelo MIT Technology Review

Gráfico produzido pelo MIT Technology Review

O primeiro gráfico, lá de cima, mostra que historicamente o aumento em produtividade (graças, em larga medida, às novas tecnologias) vem acompanhado de um aumento no nível de emprego, graças à criação de novas demandas e o enriquecimento da população. Mas com o avanço das tecnologias da informação na década passada e especialmente depois da crise de 2008, aconteceu o que os economistas chamam de “a grande dissociação”: os empresários começaram a investir cada vez mais em capital (meios de produção) e, com a competição de robôs e software, os salários pararam de crescer.

Os exemplos que eles dão para ilustrar isso são majoritariamente dos EUA, é claro, mas é possível observar esse fenômeno de maneira localizada em alguns setores do Brasil. Quando Summers fala de “capital substituindo mão-de-obra”[1], podemos olhar para os bancos brasileiros, que têm lucros recordes: Bradesco, Itaú e Santander tiveram lucro somado de R$ 34 bilhões ano passado. Mas, só em 2013, o Santander eliminou 4.371 postos de trabalho, o Bradesco, 2.896 e o Itaú, 2.734, de acordo com o Sindicato dos Bancários. Cada um deles está investindo bilhões de reais em novos data centers ou reformas de caixas eletrônicos que tendem a diminuir ainda mais a demanda por pessoas no futuro, sem prejudicar a qualidade do serviço e a capacidade de escalar o negócio.

O caso dos bancários ilustra bem outra parte do gráfico ali em cima, a que mostra que, mesmo a produtividade aumentando, o salário médio está de fato diminuindo nos Estados Unidos em termos reais. Por outro lado, o PIB per capita, aquela conta que divide a riqueza de um país pelo número de habitantes, está aumentando. Por que essa disparidade? Justamente porque os ganhos vão para os detentores do capital — o lucro empresarial, como porcentagem do PIB, é o maior desde que a medição começou, há 100 anos. Nas últimas três décadas, e em todo o mundo, a porcentagem da riqueza gerada que vai para os trabalhadores caiu de 64% para 59%, enquanto nos EUA — onde a tendência é mais evidente — a renda que vai para os 1% mais ricos saiu dos 9% nos anos 70 para 22% hoje.

O medo do desemprego tecnológico e da concentração de renda em quem tem a tecnologia parece estar aumentando, mas, como falei, ele não é novo. Precisamos voltar alguns passos para entender onde ele começou e por onde já passou.

Os robôs no escritório

Em um processo que começou de maneira mais acelerada no fim do século 19, as novas tecnologias sempre trouxeram ganhos de produtividade e o surgimento de novas demandas, concentradas nas cidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, 90% da população trabalhava com agricultura em 1800. Em 1900, eram 41% e, no ano 2000, apenas 2%. Mesmo assim, é menos gente produzindo mais comida, mais diversa e de melhor qualidade. A mudança vista na indústria foi semelhante – mesmo que a quantidade de bens que demandamos seja maior hoje, processos cada vez mais sofisticados foram diminuindo a necessidade de pessoas operando as máquinas.

Veja quantos trabalhadores você consegue contar montando o Mac Pro, uma das mais avançadas máquinas de computação, na nova fábrica da Apple nos EUA:

 

Pois é. A substituição de pessoas por robôs na indústria é um movimento esperado, e vinha acontecendo progressivamente, mas de uma maneira razoavelmente lenta, até a década passada, quando se acelerou: só nos Estados Unidos, foram 6 milhões de vagas a menos na indústria entre 2000 e 2009[2]. Por um lado, os EUA estão perdendo indústrias para os países com mão-de-obra mais barata, como China, Tailândia e Vietnã. Por outro, para compensar essa perda de competitividade, os americanos estão investindo em máquinas que possam jogar os custos mais para baixo – mas nos EUA mesmo.

No Brasil, o emprego industrial também vem caindo nos últimos anos, apesar de o nível de produção continuar crescendo (a ritmo lento, é verdade, mas continua crescendo). Isso não quer dizer que devemos esperar níveis de (des)emprego semelhantes aos da agricultura para já e que a realidade dos robôs manufatureiros já seja confortável. As evidências mostram que ainda há bastante trabalho para pessoas na indústria. Porém, novos choques tecnológicos poder ter consequências importantes, e eles podem acontecer em um futuro próximo.

Até agora, a mecanização dos bens manufaturados tem sido um processo que reduz os custos no longo prazo, mas requer grandes investimentos. Poucas empresas têm esse dinheiro para investir – ainda. Só que algumas coisas estão acontecendo. Em pequena escala, mas estão. O Google vem trabalhando para mudar isso, comprando empresas de robótica para que mesmo pequenos fabricantes possam ter braços mecânicos baratos e multifuncionais. De acordo com uma reportagem do Verge, o impacto da robótica googliana na indústria pode ser importante:

Robert Atkinson, presidente da Information Technology and Innovation Foundation, diz que o Google pode fazer pela robótica o que fez para o software de celulares, criando uma plataforma mais interoperável que pode ser aplicada em várias indústrias a custos mais baixos.

Poderíamos dizer que o impacto da tecnologia nos empregos da indústria pode ser ainda maior com a massificação da impressão 3D, por exemplo: podemos imaginar que você não precisará comprar mais um dado produto, mas sim baixar o modelo no PirateBay, como um conjunto de pratos para receber visitas (ou uma arma), e imprimir em casa. Mas, ok, digamos que por questões regulatórias, de patentes e pressões do lobby isso demore a chegar. Fiquemos nos exemplos mais práticos e sem futurologia e mesmo assim fica claro que a indústria não será o setor que verá novos postos de trabalho. Porque o próximo alvo da robotização, como explicita a última matéria de capa da Economist (“The Rise of the Robots”) são as pequenas indústrias, que tem entre 20 e 200 funcionários.

Mas vamos considerar que o fim dos trabalhadores de fábrica não é o fim do mundo. Como vimos na agricultura, toda a substituição de trabalho humano por maquinário, até hoje, liberou pessoas para novas tarefas, diversificando a economia. E isso acabou melhorando o bem-estar geral da população. Quem acha que a mecanização é ruim é chamado comumente de ludita, em homenagem ao movimento que no início do século 19 quebrou máquinas das tecelagens da Inglaterra. Por isso é conhecida como “falácia ludita” a ideia de que o avanço tecnológico não melhora a vida das pessoas.

Mas essa crença de que o livre-mercado sempre eleva o nosso padrão de vida e gera riqueza e emprego merece um pouco mais de nuance. A começar pela própria interpretação do movimento ludita. Eles tinham alguma razão de reclamar, e não era só porque artesãos perdiam emprego. O historiador de economia Joel Mokyr diz que “a vida não melhorou muito entre 1750 e 1850”. Mesmo com a produtividade disparando por causa da revolução industrial, o salário dos operários britânicos ficou estável. O benefício da qualidade de vida e a diversificação do mercado de trabalho só aconteceu a partir do final do século 19[3].

Então pode ser que o que estamos vendo nos países desenvolvidos seja passageiro e a vida melhore, no longo prazo. Mas a introdução rápida e drástica de novas tecnologias, como as que estamos tendo agora na chamada “terceira revolução industrial” (a da “Era da Informação”) pode ter os primeiros anos bastante duros. Especialmente porque ela está chegando em quem imaginava não ser atingido pelos robôs e softwares. E “quando as mudanças acontecem mais rápido que as expectativas e/ou as instituições são capazes de se ajustar, a transição pode ser cataclísmica”, alertam Brynjolfsson e Andrew McAfee.

Hoje, nos países desenvolvidos, o setor terciário (comércio e serviços) concentra de 70 a 80% da força de trabalho[4] (no Brasil, 71%, que gera 65,8% do PIB). A tecnologia já eliminou alguns desses empregos, como eu mencionei no outro texto. São trabalhos como o “checkout” automático a bombas de gasolina operadas pelo cliente, passando por coleta de lixo inteligente. Tudo isso reduz os postos de trabalho. O que é desejável — dentro do que acreditam os economistas até hoje — desde que apareçam melhores empregos para as pessoas “deslocadas”.

Um shopping que foi abandonado em 2013 em St. Louis, Estados Unidos. Foto: Dan Wampler

Um shopping que foi abandonado em 2013 em St. Louis, Estados Unidos. Foto: Dan Wampler

 

A questão é que agora não são só os empregos considerados mais simples do setor de serviços que estão sendo eliminados. Você poderia dizer que qualquer pessoa poderia ser um pintor, caixa, ou encanador, sem muito treinamento, mas nem todo mundo poderia ser bancário, contador ou DJ. O que começa a se desenhar hoje é que ainda há demanda por empregos que exigem esforço físico ou destreza (e que não pagam tanto), mas os postos “intermediários” de colarinho branco estão desaparecendo (ou tendo seus salários achatados). Há demanda para pintor de parede e eletricista. Mas a demanda por contadores está diminuindo.

Uma pesquisa recente no Brasil mostrou que a parcela de trabalhadores com mais anos de estudo entre os desempregados cresce todo ano – desde 2009, quem estudou mais de 11 anos (mais sobre isso no próximo texto) é maioria entre as pessoas fora do mercado. Então, adiantando uma conversa que teremos no próximo texto, o problema não parece ser exatamente “falta de educação”.

A internet ajudou imensamente a simplificar coisas como preencher o imposto de renda ou a emitir uma nota fiscal. No mundo desenvolvido, há exemplos por toda parte: técnicos de raio-x estão sendo substituídos por software; operadores de bolsa perdem lugar para algoritmos de “High Frequency Trading”; assistentes de advogados estão sendo substituídos por algoritmos capazes de organizar pilhas de documentos.

Esse problema de “desempregados altamente qualificados” não foi maior no Brasil talvez porque também tivemos na última década alguma bonança financeira e ganho real de salários. Então, o jornalista que ficou desempregado com o encolhimento das redações podia se juntar a um sócio e abrir uma hamburgueria gourmet, ou a contadora criar um spa ou estúdio de “design de sobrancelhas” porque havia uma demanda reprimida por bens e serviços mais sofisticados e a população ainda tinha dinheiro sobrando no fim do mês. Não sabemos até quando isso vai ser verdade.

Em um artigo bastante comentado, pesquisadores da Universidade de Oxford previram que 47% das funções atuais não existirão em 20 anos. Se você tiver um tempinho e domina o inglês, recomendo ler a análise inteira explicando por que o “Machine Learning”, o acesso dos computadores a uma grande quantidade de dados e o barateamento de sensores (a tal “internet das coisas”) irá possibilitar que as funções exercidas por humanos sejam quebráveis em processos cada vez menores, realizáveis por máquinas. A previsão não é animadora:

Apesar de não sabermos exatamente ainda a extensão e velocidade desse processo, estimativas sugerem que algoritmos sofisticados podem substituir 140 milhões de empregos em tempo integral que hoje são desempenhados por pessoas em funções intelectuais.

A ideia otimista de que a tecnologia “sempre cria empregos melhores” pode ser bastante discutida porque mesmo as profissões diretamente associadas ao avanço recente da computação começam a se mostrar igualmente inseguras. Se há uns quinze anos eu quisesse abrir um site razoavelmente profissional e apresentável para a minha empresa, eu precisaria pelo menos de um ou dois designers, um ou dois programadores, um freelancer para cuidar do servidor, mais alguém responsável pelo marketing.

Hoje a padronização da web e a popularização de algumas ferramentas exige bem menos conhecimento para boa parte das atividades. Há temas lindos de WordPress compráveis a 20 dólares no Themeforest (ou no Squarespace); a hospedagem feita na Amazon Web Services pode se adaptar à demanda em tempo real; para configurar o email ou vender os anúncios, o papo pode ser direto com o Google, via adsense; o Mailchimp dispara newsletters irretocáveis, sem esforço; e por aí vai. Tudo isso para não considerar a hipótese de que o dono da pequena empresa use apenas uma fanpage do Facebook, que é algo cada vez mais comum. Ou seja: todo um mercado de trabalho criado para atender a uma nova demanda (a criação e manutenção de páginas na internet) pode já ter passado do seu pico, apesar do alcance cada vez maior da rede.

Algumas pessoas defendem que há menos postos de trabalho, mas continua havendo trabalho. Você pode argumentar que os designers ganharam mais mercado de trabalho com ferramentas como o 99designs, onde pessoas que precisam de uma logomarca, por exemplo, fazem uma espécie de micropregão e designers enviam suas ideias. Certamente é um modelo mais eficiente, e talvez este seja o problema: ele é eficiente demais, para o lado de quem tem o dinheiro para contratar. Há cada vez mais empresas oferecendo a conexão fácil de pessoas com freelancers em qualquer lugar do mundo para microtrabalhos, em sites como o Taskrabbit e o Mechanical Turk. Por meio do Taskrabbit é possível achar alguém para fazer basicamente qualquer coisa nos EUA, de pegar a roupa na lavanderia a um resumo de livro como dever de casa. Pelo Mechanical Turk (da Amazon) eu já pedi para alguém fazer um belo gráfico para uma apresentação, por 2 dólares.

Eu aqui e as pessoas sabe-se lá onde. Em um brilhante artigo na revista Prospect, Robert Kuttner mostra a filosofia por trás dos “Rabbits”:

Para conseguir um trabalho, um Rabbit se oferece para fazer a tarefa por menos dinheiro que ele ou ela acha que as outras pessoas estão pedindo. E é por isso que [o Taskrabbit] é uma metáfora da nova economia, uma distopia onde as carreiras tradicionais estão sumindo, todo trabalhador é um freelancer, toda transação de trabalho é uma ficada sem compromisso, e nós coludimos entre nós mesmos para cortar os nossos vencimentos.

A internet trouxe maneiras antes impensadas de atingir a “eficiência”, e essa eficiência pode provocar uma pressão imensa para quem oferece seus serviços, já que a competição é tanto com pessoas de diferentes lugares do globo – onde o custo de vida pode ser menor – quanto com algoritmos e ferramentas de auto-atendimento que não demandam “bônus” pela performance.

Outro bom exemplo dessa nova realidade está no mundo da publicidade. Ainda serão necessários “criativos” e estrategistas para levar as mensagens das marcas para o público, mas talvez tenhamos que recalibrar (agora com melhores ferramentas para aferir os resultados) o tanto de dinheiro gasto na produção disso. Além do mais, um pedaço enorme do processo publicitário, do “atendimento” ao planejamento e compra de mídia, está sendo significativamente simplificado com a entrada de Google e Facebook.

Quando Omnicom e Publicis, os dois maiores grupos de agências de publicidade do mundo, anunciaram a fusão, ano passado, a Bloomberg colocou o negócio bilionário em perspectiva com a manchete “Ainda muita gente, sem robôs o suficiente”. A conta era simples: o Google, que vende mais de um terço de todos os anúncios veiculados na internet no mundo (e mais de 50% se contarmos só o mobile), ganha cerca de R$ 2,5 milhões por funcionário por ano (e cerca de R$ 600 mil de lucro). As agências de carne-osso-e-concreto geram R$ 395 mil de receita por funcionário por ano e apenas R$ 31 mil em lucro. Como o dinheiro das empresas que anunciam não é infinito, não é difícil imaginar passaralhos semelhantes aos vistos nos jornais ou, mais provável, um achatamento dos salários dos “redatores juniors”.

Os novos intermediários

Outra maneira de verificar a tendência de concentração de renda e desemprego causado por tecnologia é olhar com atenção para as mais bem-sucedidas empresas de internet. Peguemos, por exemplo, as recentes aquisições do Facebook: há dois anos, Mark Zuckerberg pagava 1 bilhão de dólares pelo Instagram. Em 2014, desembolsou 19 bilhões pelo WhatsApp e finalmente 2 bilhões para a Oculus. Além das cifras monstruosas, outra coisa chama a atenção: o número de funcionários de cada empresa.

O Instagram tinha 13 empregados quando foi comprado; o WhatsApp, 55; e a Oculus, 78. O Facebook, que assimilou as três empresas, tinha pouco mais de 6 mil funcionários no fim do ano passado. E o valor de mercado da rede social, que acaba de completar 10 anos, já passa dos 150 bilhões de dólares, ou 339 bilhões de reais. Para efeito de comparação, o Grupo Pão de Açúcar tem valor de mercado de R$ 26 bilhões e emprega mais de 150 mil.

Um tempinho para assimilar esses valores.

Eles podem significar duas coisas: que, em um mundo em que passamos cada vez mais tempo das nossas vidas conectados, quem controla nossas interações digitais tem um valor incrível, que muitos ainda não assimilaram. A segunda, mais importante, para a nossa tese aqui: quando o valor criado não depende de aplicações no mundo físico, é preciso de cada vez menos funcionários para gerar muito lucro (ou melhor: é preciso de muito menos funcionários pagos).

Se essa tendência continuar se manifestando – e há muitos motivos para crer que ela irá –, temos duas consequências: desemprego das pessoas que trabalham nos empregos “ineficientes” de carne-e-osso e concentração de renda.

Boa parte das empresas que são vendidas por uma enormidade de dinheiro no Vale do Silício não gera, num primeiro momento, qualquer receita. Mas os investidores as financiam com base no “engajamento”, a capacidade de uma dada rede ou serviço atrair e reter usuários. Isso é o crucial. A tal “monetização” (normalmente associada à venda de publicidade) vem depois. Vimos isso no próprio Google, Facebook, Youtube, Twitter, Tumblr e várias outras plataformas. Esses símbolos da inovação do nosso tempo parecem ser a realização da eficiência e a “inovação” tecnológica: pouquíssimos funcionários fornecendo um serviço gratuito ou muitíssimo barato, gerando bilhões de lucro para os acionistas.

O que não fica claro para todo mundo nesse esquema é que ainda há demanda de trabalho – ele só não é remunerado. Quando postamos nossas opiniões ou “notícias” pessoais no Facebook estamos de fato aumentando a oferta de trabalho jornalístico e diminuindo o valor do produto profissional. A indústria do jornalismo nos EUA perdeu 30 bilhões de dólares (ou mais de 30%) em faturamento desde 2006 não apenas porque há cada vez menos gente lendo informação no papel (onde o anúncio é mais caro), mas porque também temos acesso a um genérico gratuito: as notícias e as fotos do casamento de um primo no Facebook são mais importantes pra gente que a informação “produzida profissionalmente” do affair de uma celebridade. Criamos novas editorias e recebemos opiniões de gente que é próxima, o que parece bom. A diferença é que os novos repórteres e colunistas de opinião das nossas timelines fazem o trabalho sem um contracheque.

Há, é claro, casos de pessoas que ganham dinheiro explorando a atenção na nova economia, mas são exceções noticiadas de maneira absurdamente desproporcional. Para cada “Youtuber profissional” ou humorista do Porta dos Fundos há dezenas de milhares de pessoas mandando vídeos de gatinhos fazendo estripulias recebendo centavos, quando muito. Mas elas, coletivamente, fazem o próprio Youtube valer bilhões, gerando um quase monopólio da nova TV “colaborativa” e ajudando no processo de concentração de renda e aumento da “lucratividade por funcionário” do Google.

As rádios ainda empregam repórteres que nos informam sobre as condições nas principais vias em horário de rush, mas através do Waze as pessoas cumprem essa função de graça – novamente, agregando valor para o Google. Mais exemplos? Desempregamos enciclopedistas editando a Wikipédia, fotógrafos profissionais subindo fotos em Creative Commons para o Flickr, DJs de rádio com nossas playlists no rdio e Spotify, testadores de produtos com resenhas na Amazon, críticos de cinema com estrelinhas no imdb. Ganhamos produtos gratuitos, de acesso mais fácil e personalizáveis. É bom negócio?

“Em outras palavras, os novos esquemas, os Servidores-Sereia, canalizam muito da produtividade das pessoas comuns em uma economia informal de troca e reputação, enquanto concentram e extraem a boa e velha riqueza para eles mesmos”, resume Jaron Lanier no ótimo Who owns the future (“A Quem pertence o Futuro?”, livro lançado ano passado). Ele dá outros bons exemplos do processo e acha que o ensino superior, que empregou tanta gente no Brasil nas últimas duas décadas da expansão universitária, será a próxima indústria a ser “inovada” – e ter alguns empregos desaparecendo. Afinal, quando a tecnologia melhorar e uma enorme parte das aulas de puder ser dada online, no dia que um diploma do curso online de computação de Stanford ou do MIT (ou da USP) valer como o “presencial”, o que vai fazer o professor de uma universidade particular de Anápolis ou Feira de Santana? Como ele irá competir? A educação será democratizada, assim como o acesso à informação foi democratizado graças aos blogs, redes sociais e o ctrl+c / ctrl+v, mas será que estamos olhando a conta?

Os nossos desejos imediatos como consumidores e fraqueza por boas ofertas acabam escondendo as consequências de longo prazo das barganhas que aceitamos, avisa Lanier. Eu vejo o ícone do Kindle e comemoro como é fácil comprar e ler livros em poucos minutos, mas poderia também lembrar de como a Amazon primeiro destruiu concorrentes que distribuíam livros físicos (a Borders fechou 400 megalojas e demitiu 11 mil funcionários em 2011 nos EUA) e agora busca um monopólio da venda de tudo online. O impacto da distribuição centralizada, online, que emprega bem menos gente, está destruindo livrarias pelo mundo[5]. A possibilidade de autopublicação no mercado de eBooks (qualquer um pode vender seu romance na Amazon e ficar com uma porcentagem dos lucros bem maior) pode acabar por espantar as editoras, que empregam editores, revisores e toda uma cadeia de distribuição, marketing e empregos nas próprias livrarias físicas.

Ainda estamos no processo de deslumbramento, de comemorar a perda de importância dos intermediários. Achamos bom que as editoras de revistas, grandes estúdios ou gravadoras não monopolizem mais o lançamento de produtos culturais, por exemplo, mas não nos incomodamos com o quase monopólio de Apple, Amazon e Google nas vendas das versões digitais desses mesmos bens.

Também raramente nos importamos com os bons empregos, normalmente de classe média, que vão embora nesse processo de “democratização de acesso”. E eu sei que é difícil não comemorar a derrocada de alguns intermediários, e não falo só dos grupos de mídia que as pessoas têm antipatia. Pegue o caso das cooperativas de rádiotáxi. Para algumas pessoas já é bizarro pensar em como era ir para a balada sem os apps tipo o 99Taxi. A empresa brasileira criada em dezembro de 2012 é uma mão-na-roda: o aplicativo é significativamente mais rápido para o consumidor e mais barato para o taxista, que hoje paga pelo menos 700 reais por mês para ficar na cooperativa e às vezes mais de 10 mil apenas para entrar. Os apps resolvem esses problemas e adicionam outras conveniências. Mas, nesse cenário, qual o sentido de cooperativas de rádio-táxis, que empregam várias operadoras espalhadas pelo Brasil? Só precisaremos de duas ou três empresas, em São Paulo ou no Rio e apps nas mãos de fornecedores e clientes. O lucro se concentrará nos fabricantes de smartphones e criadores de apps.

E, se projetarmos um pouco para o futuro, os 99taxis da vida podem ser só o início de uma história de substituição de empregos por tecnologia nos transportes, se não pararmos de buscar a eficiência. O Lyft, serviço que funciona em mais de 50 cidades nos EUA (e acaba de ganhar 150 milhões de dólares em investimento), cadastra motoristas normais, não-profissionais, que estão indo para casa, ou sem nada para fazer, e podem dar uma carona em troca de um trocado. Se todo mundo usar um serviço assim, teremos menos poluição e menos trânsito. Mas também menos demanda por carros, taxistas e diversas outras cadeias de produtos e serviços. Quer avançar um pouco mais alguns anos? Como será o mundo dos carros autônomos que Google, BMW e outros fabricantes estão demonstrando? E quando guerras forem travadas entre drones, o que os países que empregam milhares no exército vão fazer? Se não tivermos guerras, sem problemas. Mas o que a Amazon vai fazer com seus entregadores quando os drones-do-bem entrarem em ação?

O fato é que uma quantidade enorme de empresas e serviços (que são pequenos, individualmente, em número de funcionários) estão ameaçando indústrias inteiras. O AirBnB, das melhores invenções para as férias, barateia a hospedagem ao conectar pessoas com quartos ou casas vazias diretamente com potenciais clientes. Mas ele não só faz o negócio dos hotéis mais difícil (já que não paga os mesmos impostos, seguro e serviços) como só beneficia quem tem capital – dinheiro o suficiente para ter uma casa ou quarto para alugar.

E no dia que o Netflix e o iTunes funcionarem como todo mundo deseja, e acabarem com as janelas de exibição (o atraso entre o filme entrar em cartaz no cinema e chegar na locadora)? Alguém tem dúvidas que as salas de exibição terão dificuldade em competir com TVs UltraHD 3D cada vez mais baratas?

Podemos continuar por horas fazendo esse exercício e listar outros exemplos de serviços possibilitados pelos avanços tecnológicos recentes[6], mas você entendeu a ideia. A minha tese aqui é mostrar quão rápido eles podem destruir (ou “disrupt”, no verbo em inglês onipresente do linguajar executivo) os atuais mercados “ineficientes”.

Tempos modernos

Estamos bastante fixados nos efeitos positivos de todo esse desdobramento tecnológico. Políticos falam de “PIB digital”; empresários dizem que precisamos urgentemente “encorajar a inovação” com incubadoras e concursos de startups; revistas de negócios estampam na capa novos milionários de vinte e poucos anos como exemplos a serem perseguidos. É ótimo que exista inovação, claro. Mas é fundamental pensar nos efeitos da inovação. Os movimentos têm conseqüências.

Um economista mais liberal pode dizer que, por outro lado, estou neste ensaio focando demasiadamente nos efeitos negativos. Ele pode argumentar que os ganhos de eficiência de muitos desses aplicativos são repassadas para o consumidor de forma indireta. Estima-se que um usuário de WhatsApp deixe de gastar R$ 150 por ano em SMS. É uma graninha que ele poderá investir em outro setor – como vestuário ou alimentação –, mantendo a economia aquecida.

Esse dinheiro pode gerar riqueza e comodidade, sim. Mas raramente emprego remunerado. E, no atual sistema em que vivemos, quanto menos emprego, menos dinheiro circulando pelas mãos das pessoas.

Este recado deixado para os vizinhos de um alto funcionário do Google mostra que nem todo mundo está feliz com o atual sistema

Este recado deixado para os vizinhos de um alto funcionário do Google mostra que nem todo mundo está feliz com o atual sistema

 

A economia digital ainda não encontrou modelos de repor os postos que destrói, e não sabemos quando – e se – conseguirá. Porque o modelo dominante, de pequenas empresas enxutas, está empregando cada vez menos gente. O número de funcionários em novas empresas nos Estados Unidos é 46% menor do que era em 1999, o auge das startups pré-bolha.

“Há essa ideia de que de alguma forma podemos confiar no empreendedorismo para sair dessa crise de empregos. Mas isso tem ficado cada vez mais difícil, considerando que há cada vez menos empresas, empregando cada vez menos pessoas”, disse Scott Shante, um professor de economia da Case Wester Reserve University em uma reportagem recente do New York Times que explora o tema, ainda tabu por aqui.

Se o empreendedorismo e a economia digital não são exatamente saídas para a crise de empregos, o que é? Mais educação? Mais Estado? Renda mínima? Vou explorar algumas das ideias que estão circulando no último texto da série, mas espero que fique claro aqui que trago bem mais perguntas que respostas ou certezas. O que não acho que podemos mais deixar de reconhecer é que estamos vivendo um momento bastante peculiar, que pode ficar bastante turbulento se não tomarmos as decisões certas. Como diz a Economist:

A inovação trouxe grandes benefícios à humanidade. Ninguém em sã consciência gostaria de retornar a um mundo de tecelagens manuais. Mas os benefícios do progresso tecnológico são distribuídos de maneira desigual, especialmente nos primeiros estágios de cada onda, e cabe aos governos espalhá-los. No século 19, precisou da ameaça de uma revolução para que reformas progressivas fossem alcançadas. Os governos atuais poderiam muito bem começar a fazer as mudanças necessárias antes que as pessoas fiquem bravas.

E as pessoas já estão começando a ficar bastante incomodadas. Se as marchas no Brasil tiveram mais a ver com a incompetência do governo em tratar bem seus cidadãos, os Indignados da Espanha ou o Occupy dos Estados Unidos estão mais preocupados com o desemprego, diminuição da rede de proteção do Estado e concentração de renda. Muito da ira dos americanos é dirigida a San Francisco, em cuja área está uma boa parte das empresas que geram toda a eficiência, desemprego e concentração de renda. Um dos novos símbolos do problema é Jam Koum, fundador do WhatsApp, que recebeu sozinho 6,8 bilhões de dólares, o equivalente ao orçamento anual da cidade californiana (que isentou o Twitter de impostos para que a empresa instalasse lá a sua sede).

Estamos vendo esse conflito se desenhar há muito tempo. Em um história clássica, Henry Ford II, então CEO da Ford, e Walter Reuther, presidente do maior sindicato de empregados em montadoras, faziam um tour por uma linha de montagem moderna, com robôs. Ford provoca Reuther: “Walter, como você vai fazer para que esses robôs paguem as mensalidades do sindicato?” Ao que Reuther respondeu: “Henry, como você vai fazer com que eles comprem seus carros?”. Mudam os atores, segue o dilema.

Ninguém aqui é contra o progresso. Mas precisamos definir o que é “progresso” antes de avançar.


FONTES:


  1. Para ser bem correto, na linguagem dos economistas, o fenômeno é chamado “capital-biased technological change.” Há uma ótima coletânea de links de acadêmicos e articulistas em geral falando do problema aqui. Izabella Kaminska, que fez a curadoria, escreveu no Financial Times sobre o “dilema da ficção-científica que queremos”: a de Star Trek, onde o dinheiro não é problema, ou a de Star Wars, onde interesses comerciais e exploração do trabalho levam a guerras.  ↩
  2. A indústria nos EUA vem perdendo empregos não só para a mecanização, mas para o trabalho barato na China e outros países do sudeste asiático. Como o custo da mão-de-obra tem aumentado bastante lá também, o presidente da Foxconn anunciou, em 2011, um ambicioso plano de usar 1 milhão de robôs em suas linhas de montagem. O processo já está dando resultados.  ↩
  3. No maravilhoso livro Capital in the Twenty-Frist Century, Thomas Piketty lembra que a situação dos trabalhadores descrita em obras como Germinal, Oliver Twist ou Les Misérables dão uma boa noção das condições dos trabalhadores no início do século 19. Os avanços demoraram a chegar e a regulação dos direitos dos trabalhadores só começou a acontecer em 1841, quando a França limitou o trabalho nas fábricas a maiores de 8 anos.  ↩
  4. “Setor de serviços” é algo bastante abrangente, e até para atacar melhor o problema da futura desaceleração ou menor criação de vagas, é importante subdividí-lo. É o que faz o IBGE em sua pesquisa mensal, que define os subgrupos “serviços prestados a famílias” (alojamento e alimentação; outros serviços prestados às famílias); “serviços de informação e comunicação” (serviços TIC; serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias); “serviços profissionais, administrativos e complementares” (serviços técnico-profissionais; serviços administrativos e complementares); “transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio” (transporte terrestre; transporte aquaviário, transporte aéreo; armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio); e “outros serviços”.  ↩
  5. De acordo com esta reportagem do Estadão, as vendas das lojas físicas de livros caíram 50% na Espanha. E na Inglaterra, entre 2005 e 2014, 2.200 livrarias fecharam as portas.  ↩
  6. Em um texto para a Superinteressante, eu e o Alexandre Versignassi defendemos que usar o app resolve vários “problemas de eficiência” de ir para a balada. Se o seu objetivo ao sair à noite é só “se dar bem”, os apps de encontro evitam o gasto com bebida, facilitam a identificação de parceiros em potencial e, mais importante, eliminam a rejeição – tudo de graça. O que coloca, indiretamente, algumas casas noturnas em perigo.  ↩
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